A guerra importa para quem?
Um sujeito pode se apropriar da palavra para criar sobrevida a um indivíduo ou convocá-lo a morte. A escolha de uma palavra dúbia, uma frase mal colocada, um enunciado mal escrito, podem ferir mais que um direto no rosto ou joelhada nas costelas. O verbo que machuca, conscientemente ou não, é uma tapa de pelica moral. Vamos à lona fisicamente intactos, mas subjetivamente abalados. O inverso também é possível. O elogio espontâneo, o comentário pertinente, a lembrança no bilhete. A palavra também faz engrandecer a moral, ajusta os ponteiros do ego. Os dois extremos se encontram nos objetivos deste sujeito enunciador. O problema ganha volume quando esse indivíduo que enuncia representa uma coletividade. Líderes nacionais, chefes de empresa, diretores de cinema, mentores intelectuais, representantes de conselhos educacionais, comandantes de tropas, pastores ou padres de igrejas. Cada um, a seu modo, ocupa um lugar de comando que diz respeito a uma coletividade. Qualquer coisa dita, mesm...